Um Grupo de Estudantes Universitários lutando por um novo cenário do semiárido brasileiro

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O Programa COFPISNE Sustentável foi criado para o controle e redução aos impactos ambientais.

Sua meta é fazer a revitalização da Caatinga e do Rio São Francisco nos perímetros do Projeto.

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O SINPISBA irá gerar mais de 80 Mil empregos diretos e indiretos na Região de Irecê.

Sua meta é beneficiar inicialmente mais de 10 Mil pequenos agricultores familiares nos perímetros do Projeto.

Em busca das grandes conquistas hoje e sempre à benefício dos nossos filhos e netos.

Responsabilidade Social e Ambiental para o bem de todos.

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sábado, 10 de agosto de 2013

Novos rótulos para os produtos industrializados que circulam o mundo inteiro

Por: Maykon Mendes

É com grande satisfação que o Portal Química em Foco publica este artigo. Por meio dele, podemos ver o quanto a caatinga no sertão nordestino é valiosa na visão das indústrias estrangeiras de cosméticos, e saber o quanto é importante pensarmos em investir mais no semiárido do nordeste. Empresários de grandes indústrias, não só de cosméticos, como também de biocombustíveis, investem pesado nos produtos oriundos da caatinga no interior da Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. O óleo de palma (dendê) é bastante utilizado como um dos componentes do biodiesel. A carnaúba, por exemplo, encontrada no semiárido, continua entre os produtos mais exportados e serve de matéria prima para muitos outros produtos além da cera.
No caso do dendê, sob o ponto de vista dos autores de pesquisas no processamento desse óleo, o plantio racional da palma africana (dendezeiro) para a utilização do óleo de palma, como combustível substituto ou componente de óleo diesel, é a melhor opção, quando não se tem uma fonte confiável de oleaginosas nativas, pelas
seguintes razões:

• Propriedades físico-químicas do óleo, bastante similares ao óleo diesel.
• Alta produtividade e potencial comprovado para produção em larga escala.
• Produz o ano inteiro, o que permite menores volumes de estocagem e instalações industriais de menor porte.
• O Brasil, após 30 anos de pesquisa e plantio, tem tecnologia apropriada para aumentar a área plantada dessa cultura perene, que produz até 5 toneladas de óleo/hectare/ano. 

Veja mais detalhes sobre óleo de palma (dendê) clicando aqui!

Os gigantes da cosmética agora adequam fórmulas às necessidades de cada nacionalidade
Redação: Katiane Romero
VejaSP Especial - 01/04/2013



No mês de março, a L’Occitane fez um movimento surpreendente. Conhecida por "colocar" há trinta anos a Provença dentro de frascos - de xampus a perfumes -, a empresa francesa acaba de lançar uma marca com ingredientes brasileiros em produtos fabricados no Brasil, a L’Occitane au Brésil. "Escolhemos embalar extratos de mandacaru e jenipapo", diz a diretora, Laura Barros. Típico da caatinga, o mandacaru, extraído no interior da Bahia pelos produtores da Cooperativa de Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curuçá e até então usado na alimentação de animais, empresta o poder hidratante a uma linha que vai de sabonete a esfoliante. Fruta típica do cerrado, o jenipapo, com ação reparadora e hidratante, é cultivado em Paraibuna, no interior do estado de São Paulo. 

A novidade da indústria que fez história com lavandas e sempre-vivas colhidas no sul da França acompanha uma nova onda no mercado da beleza. Depois de um século comercializando os mesmos produtos em todo o planeta, gigantes da cosmética se dedicam a adaptar o conteúdo das embalagens a cada região. "A ciência nos ajudou a determinar as especificidades locais de pele e cabelo: por exemplo, a brasileira tem a pele mais oleosa do que a europeia", comenta Bianca Soares, gerente de produto da francesa Avène, especializada em dermocosméticos. 

O Brasil e a China despontam entre as geografias mais estudadas. "Em ambas as culturas, a vaidade é valorizada, e as exigências estão cada vez mais sofisticadas", afirma Anna Kim, editora de beleza do Stylesight, em Nova York, escritório que estudahábitos de consumo. A Ásia vem demonstrando talento como difusora de tendências para os cuidados com a pele. "Para chinesas, japonesas e coreanas, a maquiagem também serve para tratar a pele", diz Anna. Daí o sucesso do BB Cream, recomendado originalmente por dermatologistas a pacientes em recuperação de cirurgias. Com o sucesso no Oriente, o produto quatro em um (hidratante, prime, protetor solar e regenerador) foi lançado na Europa em 2011 - de Estée Lauder a Shu Uemura, todos oferecem uma versão. 

Na Ásia, outro ponto se destaca: a pele alva é uma questão de status. Para esse lado do globo, a Avène desenvolveu a Sensitive White: do sabonete ao creme, o chamariz é a ação clareadora. No Brasil, o forte são os cabelos e os protetores solares. Um dos cases mais incensados é o da linha Elseve Reparação Total 5, para cabelos danificados, desenvolvido em 2008, no laboratório da L’Oréal Paris no bairro da Pavuna, no Rio de Janeiro. "A brasileira busca um produto capaz de tratar os fios, que sofrem por causa do clima ou de processos químicos, sem deixá-los pesados", diz Pierre-Emmanuel Angeloglou, um dos diretores da empresa no Brasil. Hoje, o Total 5 está presente em quase todos os 130 países onde o grupo vende seus produtos. 

Em março, foi a vez da linha de tratamento Absolut Control, da L’Oréal Professionnel, à base de manteiga de murumuru, uma palmeira da Amazônia, para combater o volume e o frizz. No ano passado, a Avène apresentou o primeiro protetor solar para o Brasil: não só a necessidade de FPS difere da da Europa, onde a empresa é líder em filtros, mas é também uma questão de pele. Os produtos franceses eram considerados "pesados" pelas consumidoras tropicais, que preferem toque "seco". 

Descobrir a textura certa parece ser crucial para o sucesso em terras brasileiras. A L’Oréal vai abrir neste ano um centro de pesquisa para tratamentos de pele no Rio. Em 2014, a empresa expandirá o estudo para cabelo, corpo, unhas, desodorantes e perfumes. Este será o sexto laboratório do grupo no mundo, depois da França, dos Estados Unidos, do Japão, da China e da Índia.




domingo, 21 de julho de 2013

Novo etanol entra no mercado até março de 2014, dizem pesquisadores

Fábrica de Araucária, no PR, contribuiu para desenvolver etanol de celulose.
Combustível é produzido com os bagaços de cana, milho e eucalipto.

Redação: Silvia Cordeiro Do G1 PR

Gerente de pesquisa e desenvolvimento da empresa, Thomas Rasmussen, diz que a pesquisa é feita há 10 anos (Foto: Silvia Cordeiro/G1PR)
Gerente de pesquisa e desenvolvimento da empresa,
Thomas Rasmussen, diz que a pesquisa é feita há
10 anos (Foto: Silvia Cordeiro/G1)
Os veículos que circularem pelo Brasil a partir do primeiro trimestre de 2014 vão poder usar um novo combustível. A notícia vem de uma multinacional com sede em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná. Além do álcool e da gasolina, surge o etanol de segunda geração, que está sendo produzido para colaborar com o meio ambiente, ser mais barato e com eficiência semelhante ao etanol comum, como explicam os pesquisadores.
De acordo com um dos gerentes da empresa, Ricardo Blandy, este combustível é feito à base de resíduos agrícolas, como o bagaço de cana-de-açúcar e o amido de milho. “Hoje, o álcool é feito da própria cana e do próprio milho. O que sobra desses materiais, não é utilizado. Nós encontramos uma tecnologia que converte esses resíduos em combustível”, explica.
“O trabalho não é igual a produção de álcool comum”, revela o gerente de desenvolvimento e pesquisa, Thomas Rasmussen. Há 10 anos, pesquisadores têm trabalhado para desenvolver o etanol de celulose ou de segunda geração. Ele conta que foi necessário buscar na natureza um fator que pudesse reagir e transformar os resíduos em combustível, que são as enzimas.
Segundo Rasmussen, com base nisso, a empresa desenvolveu uma matéria-prima, que deve ser negociada com as usinas interessadas em fabricar o novo etanol. Por enquanto, o trabalho está sendo feito em pequena escala, apenas para experimento.
A primeira usina a começar a produzir o etanol de segunda geração em larga escala é do estado de Alagoas, no nordeste do país. “Outras quatro empresas já anunciaram publicamente que devem produzir o combustível a partir do ano que vem”, conta o gerente.
Benefícios

Os pesquisadores afirmam: o etanol de celulose possui vários benefícios. Um deles é reduzir o impacto ambiental com a reutilização dos resíduos. “O Brasil tem disponível de biomassa [resíduos de produção] um volume suficiente que seria capaz de dobrar a produção de álcool atual”, explica Blandy. Segundo ele, este material está sendo jogado no lixo por não existir indústria que o reutilize.

O gerente conta que, na safra 2012/2013, a produção de álcool comum no país foi de 22 bilhões de litros. “A vantagem é a de que o produtor não vai precisar aumentar a área de plantação e vai utilizar apenas os resíduos que sobram na usina”, esclarece. Rasmussen complementa que o custo logístico será mínimo com um incremento de 30% no resultado da produção da usina.
Bagaço de cana-de-açúcar é uma das matérias-primas do etanol de segunda geração (Foto: Silvia Cordeiro/G1PR)Bagaço de cana-de-açúcar é uma das matérias-primas do
etanol de segunda geração (Foto: Silvia Cordeiro/G1)
Com a economia, é esperado também o benefício para o consumidor. Blandy conta que o custo de produção será de 10% a 15% mais barato do que o etanol de primeira geração, o que deve refletir no preço final do novo combustível.
Outra vantagem, segundo o gerente, é a de não competir com o setor de alimentos. “Quando você planta cana-de-açúcar para produzir álcool, você está deixando de produzir açúcar ou outros alimentos baseados em glicose. Mesma coisa com o milho. Você acaba competindo com um mercado, gerando impacto na alimentação da população. Quanto mais álcool, menos alimento”, explica. A utilização total da produção tende a não causar desperdícios.
Para o professor do departamento de Química da Universidade Federal do Paraná(UFPR), Luiz Pereira Ramos, a nova tecnologia vai trazer vantagens econômicas para o Brasil. “O país tem toda a condição do mundo de ocupar um lugar muito importante no mercado exterior. Novas indústrias podem se instalar aqui”, afirma. Ramos ainda acredita que o etanol de segunda geração vai diminuir o uso de petróleo, que será utilizado para outros fins.
Etanol de segunda geração é produzido em pequena escala para estudos (Foto: Silvia Cordeiro/G1PR)Etanol de segunda geração é produzido em pequena
escala para estudos (Foto: Silvia Cordeiro/G1)
Sem ciclo de cana

No Brasil, a cana-de-açúcar é a principal matéria-prima para a produção do álcool. Segundo Rasmussen, como o ciclo é curto - de abril a novembro -, a empresa sugere às usinas a produzirem etanol de celulose com o bagaço de eucalipto, para não ficarem inativas. “A tecnologia é a mesma em todo o mundo. O diferencial é de que aqui é possível utilizar uma matéria-prima que pertence à própria natureza”, acrescenta.

O professor também sugere a produção do novo etanol utilizando outras fontes. “Tendo como base a celulose, você pode aproveitar o lixo, como o papelão. Além disso, é possível reutilizar resíduos agroflorestais, casca de arroz, sabugo de milho, entre outros materiais”, comenta.
Disponível em: G1

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Investidores estrangeiros querem produzir etanol na Bahia

Um projeto que visa a produção de etanol na Bahia pode reduzir a importação interna e impulsionar o desenvolvimento de municípios da região semiárida. Esta é a proposta de investidores internacionais, que se reuniram na manhã desta segunda-feira (25), no gabinete do secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Reforma Agrária, Pesca e Aquicultura, Eduardo Salles, com o superintendente estadual do Banco do Nordeste, Jorge Bagdeve, a agente de desenvolvimento do banco, Yéda Brito e a gerente executiva do BNB, Daniela Graciane.

De acordo com os investidores, que preferem não divulgar seus nomes, o projeto terá grande impacto para a Bahia, pois serão produzidos 412 milhões de litros de etanol e 400 mil toneladas de açúcar, em 10 anos. O estado consome aproximadamente 600 milhões de litros e produz cerca de 100 milhões, tendo que importar o etanol de outros estados. Com a implantação do projeto, a Bahia se aproximará da autossuficiência, além de estar prevista a geração de 15 mil empregos diretos e indiretos, o projeto contempla investimento de 9 mil hectares para produção de alimento, com o envolvimento de agricultores familiares e assentados e haverá aplicação de recurso destinado a programas habitacionais, qualificação de mão de obra, saúde, dentre outros.

O superintendente estadual do BNB, Jorge Bagdeve Informou que o projeto tem características diferenciais que o torna atrativo para o banco e considerou importante o investimento em uma região carente, onde Barra está inserida. "O BNB tem uma linha de crédito específica e favorável para o que está sendo proposto, que é Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE)", destacou.

O secretário pontuou que a Bahia é um estado deficitário na produção do etanol e a cana irrigada tem grande potencial para a atividade. "Os entendimentos estão avançando para que o estado consiga consolidar a atração desse investimento para o município de Barra. O que nós queremos é a integração da lavoura com a agroindústria, gerar emprego e renda para a população, agregar valor ao produto e proporcionar condições de fixar o homem no campo", disse.

Os investidores ainda têm a seu favor, o decreto estadual nº 9.076 de 27 de abril de 2004, que institui o Programa para o Desenvolvimento do Pólo Sucro-alcooleiro do Médio São Francisco, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento de áreas potenciais para o agronegócio sucroalcooleiro, na região do médio São Francisco (Assessoria de Comunicaçã, 26/2/13)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Desafio mostra benefícios do sorgo sacarino para a produção de etanol


Projeto pioneiro da CanaVialis e empresas parceiras mostra a capacidade comercial do sorgo sacarino
Na década de 1980, o sorgo sacarino foi introduzido no Brasil como uma alternativa para a produção de etanol durante a entressafra de cana-de-açúcar. A iniciativa foi promovida pelo Proálcool, programa desenvolvido pelo Governo Federal para incentivar o uso do álcool e de outras fontes energéticas como uma alternativa à gasolina, em um período de crise petrolífera mundial. No entanto, no início, a produção em larga escala dessa matéria-prima não teve sucesso, pois não havia híbridos adequados às peculiaridades regionais brasileiras. Hoje, trinta anos depois, o sorgo sacarino pode se tornar uma realidade comercial devido aos avanços tecnológicos obtidos no setor e ao esforço da CanaVialis, marca da Monsanto de melhoramento genético e tecnologias para cana-de-açúcar e sorgo sacarino.
Para demonstrar a importância dessa cultura para o setor sucroenergético, a CanaVialis lançou, no final de janeiro, o Desafio de Produtividade Sorgo Sacarino, um projeto pioneiro desenvolvido em quatro usinas paulistas e uma em Goiás contando com a parceria das empresas Case IH e Novozymes. O projeto, que vai até junho de 2013, demonstrará a capacidade de produção comercial desse tipo de sorgo, pois entre março e abril - meses em que a cana-de-açúcar ainda se encontra em estado de desenvolvimento vegetativo - essa cultura pode ser uma alternativa para a produção de etanol.
“O sorgo sacarino tem condições de produzir mais de 2.500 litros de etanol por hectare durante o período de entressafra da cana-de-açúcar. O desenvolvimento dessa cultura gerará uma melhoria na produtividade da cana-de-açúcar ao proporcionar a sua colheita em período mais favorável”, diz Vagner Kogikoski, gerente de Marketing da CanaVialis.
Para o desafio, foram instalados cinco campos experimentais, cada um deles com aproximadamente 20 hectares, nas cidades paulistas de Clementina, Catanduva, Igarapava, Piracicaba e em Quirinópolis, todas em Goiás. Os municípios foram escolhidos pela CanaVialis com base na necessidade de viabilização da matéria-prima durante o período de entressafra da cana-de-açúcar.
Durante o projeto, a CanaVialis fará o manejo agrícola e o acompanhamento técnico dedicado em todas as áreas selecionadas. Ao todo, participam da ação mais de 20 profissionais da Monsanto, divididos nas áreas de Marketing, Vendas, Desenvolvimento Tecnológico, Comunicação e Recursos Humanos. A parceira Case IH, líder no setor de máquinas agrícolas, fornecerá os equipamentos, além de prestar consultoria na produção das áreas comerciais. Já a Novozymes, líder mundial em bioinovação, será a responsável pelo fornecimento de enzimas e pela recomendação de uso às usinas que participam da ação.
O híbrido selecionado para o projeto Desafio de Produtividade Sorgo Sacarino é o CV568, lançado em 2012. Ele está disponível comercialmente para a safra 2012/2013 e seus principais diferenciais agronômicos são a amplitude de colheita e o alto potencial produtivo. “Atualmente, somos líderes do segmento, mas queremos ampliar ainda mais o uso do sorgo sacarino como alternativa viável à produção de etanol no país”, explica José Carramate, gerente de estratégia para EMEA, Ásia e África e ex-líder de negócios de Cana-de-Açúcar da Monsanto do Brasil.
Fonte: Monsanto em campo.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Estrangeiros são a nova geração de usineiros

"Os estrangeiros é que tem crédito, que estão investindo na modernização das indústrias e na renovação dos canaviais"

Assista ao Vídeo desta reportagem clicando aqui!

Bandeiras estrangeiras, sobretudo americanas, francesas e inglesas, tremulam nos mastros das usinas de açúcar e álcool do Brasil, que iniciou esta semana na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, a colheita da maior safra de cana-de-açúcar da História. Enfrentando uma crescente desnacionalização, o setor atingiu no ano passado uma marca impressionante: os estrangeiros foram responsáveis por 33% da produção brasileira de açúcar e álcool. Em 2010, a participação era de apenas 12%. Em 2006, quando o processo de internacionalização começou, a presença dos estrangeiros era de somente 3%. Nessa velocidade, a estimativa é que em breve o setor será totalmente dominado pelo capital externo, conforme levantamento da Datagro, empresa que presta consultoria à Organização Internacional do Açúcar.

Assim, este ano pelo menos um terço das 654 milhões de toneladas de cana que serão colhidas no país (11% a mais do que no ano passado) será para abastecer usinas de capital estrangeiro. Só a produção de açúcar será 13,6% maior este ano (43,5 milhões de toneladas). Os usineiros produzirão também 25,7 bilhões de litros de etanol, com um aumento de 9% sobre o ano passado. Um recorde total, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Os estrangeiros estão sendo atraídos pela alternativa mundial do álcool como combustível limpo e também pela crise dos usineiros brasileiros, pertencentes a tradicionais famílias, especialmente em 40 municípios no entorno de Ribeirão Preto, que produz 60% da produção nacional. Somente nos últimos quatro anos, 42 usinas de açúcar e álcool fecharam as portas. Muitas, no entanto, estão sendo compradas pelo capital internacional.

Um exemplo dessa expansão estrangeira no setor aconteceu nesta última sexta-feira em Ivinhema, no Mato Grosso do Sul, com a inauguração de uma grande destilaria de etanol pertencente à Adecoagro, do megainvestidor americano George Soros. Ele investiu US$ 900 milhões (ou aproximadamente R$ 1,8 bilhão) na filial brasileira da empresa, que tem sede na Argentina. Há dois anos, a anglo-holandesa Shell se associou ao empresário Rubens Ometto, e virou dona da metade das 24 usinas brasileiras pertencentes à Raízen, empresa resultante da fusão e que é segunda maior do setor, com 9,5% da produção nacional de açúcar e álcool. Até 2020, a Shell pode exercer o direito de comprar 100% do capital da empresa.

— Por enquanto, não pensamos em mudar nada na nossa parceria com a Shell. Estou muito feliz com o negócio do jeito que ele está — desconversou Rubens Ometto.

Além da Shell, os americanos da Bunge e da Cargill já são donos de dezenas de destilarias. Só a Bunge tem sete usinas. Os franceses da Louis Dreyfus Commodities (LDC) são proprietários de outras 11 usinas da Biosev, a terceira maior empresa do setor, com 7% de toda a produção. A primeira ainda é a brasileira Copersucar, que tem 34 usinas e 23% da produção brasileira. A indiana Renuka tem quatro usinas (duas no Paraná e duas em São Paulo), com capacidade para a moagem de 13 milhões de toneladas. O objetivo é exportar açúcar e etanol para a Índia, que começa este ano um programa de misturar 5% de álcool na gasolina.



Estrangeiros investiram US$ 22 bilhões na compra de usinas
A chinesa Noble, de Hong Kong, tem duas usinas no Brasil e os japoneses da Sojitz já detém 30% do capital da ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht, que tem 9 usinas para processar 22 milhões de toneladas de cana. Os franceses da Tereos foram os primeiros a chegar ao mercado brasileiro, com a compra da Açúcar Guarani, que tem sete usinas no país. Hoje, a Tereos tem 50% do capital nas mãos da Petrobras e capacidade para processar 21,5 milhões de toneladas de cana. Assim como a poderosa Petrobras, outra petroleira, a British Petroleum (BP), comprou recentemente usinas em Goiás e Minas Gerais.

De acordo com levantamento da Datagro, os estrangeiros investiram US$ 22 bilhões (ou R$ 44 bilhões) na compra de usinas brasileiras de açúcar e álcool.

— O capital estrangeiro é bem vindo. Não fosse ele, certamente não teríamos aumento da produção este ano. Os estrangeiros é que tem crédito, que estão investindo na modernização das indústrias e na renovação dos canaviais — disse Antonio de Pádua Rodrigues, diretor da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica).

As empresas internacionais, contudo, não estão se tornando donas das terras. Até porque, a Advocacia Geral da União (AGU) fez um parecer limitando em 2010 em cinco mil hectares o volume de terras em mão de um estrangeiro. Com isso, as empresas estão comprando só as usinas. A terra em que plantam é arrendada dos produtores brasileiros ou adquirem toda a safra dos canavieiros nacionais.

Essa é uma das razões que leva o diretor da Unica a não ver risco dos estrangeiros dominarem o setor. Antonio de Pádua Rodrigues acha mais perigoso o que está acontecendo com a falta de investimentos da Petrobras no refino de gasolina, entre outras coisas.

— Será que as empresas estrangeiras continuarão interessadas no setor, depois de anos sem lucratividade? Eles tem mais fôlego financeiro do que os empresários nacionais e estão dispostos a ficar no mercado, de olho no futuro, mesmo não tendo lucro no presente — esclareceu Pádua, para quem, as recentes medidas anunciadas pela presidente Dilma Rousseff, da desoneração do PIS/Cofins e da redução da taxa de juros para financiamentos na modernização de equipamentos e renovação dos canaviais, podem ajudar a minimizar os problemas do setor, mas ainda são consideradas insuficientes para a expansão do segmento. O aumento da mistura de 25% de etanol na gasolina, que passa a vigorar neste 1º de maio, não é vista como incentivo para o setor, mas como benefício para a Petrobras, que passa a importar menos gasolina para abastecer o mercado interno.

O geógrafo Bernardo Mançano, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), contudo, vê riscos da expansão estrangeira à segurança nacional. Afinal, o setor emprega 4,5 milhões de pessoas e responde por 8% do PIB agrícola brasileiro.

— Ao permitir o avanço do capital estrangeiro num setor estratégico, o governo está abrindo mão de estabelecer sua política agrícola, de definir o uso do território para a sua soberania. Hoje quem define a política agrícola é a Organização Mundial do Comércio e o agronegócio. O que mais preocupa é que o capital estrangeiro avança no setor e dentro de dois ou três anos pode chegar a 66% do setor. E o pior, é que o BNDES está financiando muitos desses projetos —disse Mançano.

O auge da invasão estrangeira ocorreu depois da crise mundial de 2008/2009, que afetou intensamente os usineiros brasileiros. Segundo Plínio Nastari, presidente da Datagro, que deu consultoria a 70% dos estrangeiros que vieram para o Brasil a partir de 2005/2006, o capital internacional veio para o Brasil atraído pelo fato do país ser o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, responsável pela exportação de 50% do açúcar mundial e de 43% da exportação mundial de etanol. Nos últimos oito anos, o volume do açúcar exportado pelo Brasil cresceu 48%, enquanto que o resto do mundo teve uma queda de 1%.

— Depois que os estrangeiros vieram para o Brasil, a exportação brasileira de etanol saltou de 1,7 bilhão para 5,1 bilhões de litros. Na safra do ano passado, caiu para 3,3 bilhões, mas este ano já deve subir novamente e deve chegar a 4,1 bilhões de litros. A demanda mundial por etanol está crescendo 13% ao ano e a do açúcar 2,3% ao ano.

A partir do momento em que os estrangeiros começaram a tomar o lugar dos usineiros tradicionais, a produção começou a subir. Em 2004, o Brasil processava apenas 358 milhões de toneladas de cana. Em 2006, com a entrada do capital externo, o país produzia 386,6 milhões de toneladas. No auge do ingresso do capital internacional, a produção de cana subiu para 602,6 milhões de toneladas em 2009 e para 620,5 milhões de toneladas em 2010.

Para este ano, a Conab estima uma produção de 653,8 milhões de toneladas, o dobro do que produzia antes da chegada dos estrangeiros. A produção de etanol, que era de 15,9 bilhões de litros em 2006, deve ser de 25,7 bilhões de litros. A de açúcar era de 25,8 milhões de toneladas e este ano deve ser de 43,5 milhões de toneladas.

Um dos primeiros empresários brasileiros a vender suas usinas para os estrangeiros foi Maurílio Biagi, de Ribeirão Preto, que faz parte do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), do governo Dilma Rousseff. Em 2006, ele vendeu a Cevasa (Central Energética Vale do Sapucaí), que esmaga anualmente 4 milhões de toneladas de cana, para a americana Cargill, uma das maiores empresas do setor alimentício do mundo. Biagi prevê que até 2016 a participação estrangeira no setor será de 50%.

— A maioria das aquisições de estrangeiros no setor ocorre porque o empresário brasileiro está quebrado, cheio de dívidas em bancos. Mas esse não foi o meu caso. Eu já tinha negócios com a Cargill na Síria e El Salvador e acompanhei o esforço dos americanos que queriam entrar no setor de açúcar e álcool de qualquer maneira. Eles quase compraram a Usina Corona. Então, resolvi vender minha usina por entender que era um ótimo negócio — disse Biagi.

A Usina São Francisco, de Sertãozinho, é uma das que resiste ao assédio estrangeiro. Segundo Jairo Balbo, diretor industrial, a empresa sobrevive por ter desenvolvido o projeto Native, que faz produtos orgânicos, além dos tradicionais, e por isso ele se recusa a vender o controle da empresa, que está com a família há 100 anos. Ele vê com bons olhos o capital estrangeiro, mas acha que a crise do setor só vai acabar quando o preço do produtor subir em R$ 0,40 por litro. Atualmente, um litro de etanol custa R$ 1,44 na usina, já com impostos, ou R$ 1,15 sem impostos (para o consumidor, o preço do litro custa em torno de R$ 2,00).

— A desoneração do PIS/Cofins em R$ 0,12 por litro, vai ajudar um pouco, mas o importante é que o governo abriu diálogo com o setor. Não acredito que a crise levará à desnacionalização. Os estrangeiros ainda precisam muito de nós. Tanto que eles estão comprando só a parte industrial. A parte agrícola ainda está na mão dos brasileiros. A tecnologia do setor também é nossa. Um bom exemplo da parceria com o capital estrangeiro é o que aconteceu com a Shell. Eles compraram as usinas, mas quem toca a produção são os brasileiros — disse Balbo.

Germano Oliveira

quarta-feira, 13 de março de 2013

Governo estuda reduzir imposto sobre etanol em até 83%


O governo federal estuda a redução de até 83% no PIS/Cofins incidente sobre o etanol hidratado, como forma de baixar o preço do combustível ao consumidor e, consequentemente, diminuir o impacto na inflação. A proposta negociada com o setor produtivo prevê o fim do recolhimento da contribuição nas distribuidoras, de R$ 72 por metro cúbico (mil litros), e a redução do valor pago em PIS/Cofins pelo produtor de R$ 48 para entre R$ 20 e R$ 25 por metro cúbico.

Se esses valores forem confirmados no anúncio previsto para ser feito até abril - a previsão inicial era 28 de fevereiro -, o PIS/Cofins total cairia de R$ 0,12 por litro para entre R$ 0,020 e R$ 0,025 na produção. Na proposta ainda em avaliação no governo, o valor do PIS/Cofins só não deve ser zerado porque empresas exportadoras do setor utilizam os créditos da contribuição obtidos com as vendas externas para outras operações fiscais.

"O problema está resolvido. Só falta a data do anúncio e a definição do valor total", disse àAgência Estado Luiz Custódio Cotta Martins, coordenador do Fórum Nacional Sucroenergético e porta-voz dos produtores nas negociações. No entanto, o executivo não se anima com a medida e volta a defender a pauta do setor produtivo para ampliar a competitividade do etanol por meio de reajustes da gasolina.

"Essa desoneração do PIS/Cofins melhora, mas não resolverá o problema do setor. O governo tem consciência de que o etanol terá melhor competitividade se a gasolina acompanhar os preços internacionais e se a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) voltar a ser cobrada", disse Martins. "Mas isso dificilmente acontecerá no curto prazo, justamente por causa da inflação", ponderou.

Além do PIS/Cofins sobre o etanol, o setor sucroalcooleiro será beneficiado também pela desoneração do açúcar, que integra a cesta básica. A desoneração da cesta básica deve ser anunciada no dia 1º de maio, Dia do Trabalho. "Outra medida esperada é a desoneração da folha de pagamento para o setor", disse o coordenador do Fórum Nacional Sucroenergético.

Para o consultor do setor de etanol e açúcar e presidente da Associação Brasileira do Agronegócio, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, a desoneração do etanol é uma medida macroeconômica e visa claramente combater a inflação. "Essa medida faz parte da política pública do governo de trabalhar a desoneração geral, o que é positivo", avaliou Carvalho.

No entanto, a desoneração do PIS/Cofins para o etanol hidratado não deve incentivar o anúncio de novas usinas. Desde 2008, com a crise mundial de liquidez, os novos projetos foram engavetados e todo o crescimento de produção de etanol ocorre de investimentos no aumento da capacidade produtiva das unidades existentes e ainda da viabilização de plantas industriais anunciadas até 2007.

GUSTAVO PORTO
Fonte: Nova Cana.com

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Semana de Ciência e Tecnologia no IFBA - Irecê-Ba

Por: Maykon Mendes

Maykon Mendes
Nesta semana após a semana das eleições de 2012, o IFBA Campos Irecê mostrou seu grande potencial à comunidade da Região do Semiárido Baiano. A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2012 que deu inicio no dia 15 e durará até o dia 21 de outubro. O tema principal é: “Economia verde, sustentabilidade e erradicação da pobreza”. Estão sendo promovidas e estimuladas em todo o país atividades de difusão e de apropriação social de conhecimentos científicos e tecnológicos relacionados com este tema. Serão debatidas as estratégias e mudanças necessárias para uma economia verde que, em conexão com um desenvolvimento sustentável, contribua para a erradicação da pobreza e a diminuição das desigualdades sociais no país.

Com isso, o Portal Química em Foco teve a oportunidade de fazer parte desse evento no qual finalizará amanhã (sexta-feira), e é claro, fez questão de participar de algumas palestras com temas abordando Desenvolvimento Sustentável na Região, novas alternativas como reaproveitamento do óleo residual doméstico para produção de outros produtos como biodiesel, sabão, e o processo de produção do biodiesel por meio de oleaginosas, "matéria-prima" essencial para a produção de biodiesel, já sendo produzida na Região.

Em postagens posteriores, iremos publicar alguns vídeos relacionados aos temas com explicações diretamente na plataforma de produção da Usina de Biodiesel do IFBA.

Para saber mais sobre o processo de produção dos Biocombustíveis clique aqui.
Para saber mais sobre o evento II Semana de Ciência e Tecnologia IFBA Campus Irecê clique aqui.

Abaixo está a relação da programação do evento no Campus Irecê, onde todos estão convidados:


Banner do Evento

Programação extraída do Blog: Renove-se
Lista de Minicursos e Oficinas:

OFICINAS

1 A utilização de óleos e gorduras residuais (OGR) na produção de sabão. Prof. Drd. Ângelo Francklin Pitanga -IFBA;
2 Beneficiamento de alimentos. Prof. Erica Paiva - CETEPE;
3 Redação nas modalidades: dissertativa, técnica e comercial - Prof. Dr. Alex Batista Lins e Prof. Me. Eduardo Pereira Lopes -IFBA;
4 Manejo de mudas. Lucas Gomes da Silva e Valdinei Ferreira Alves - IFBA

MINICURSOS

1 Criação de Animação Gráficas em Flash. Prof. Me. Leandro Oliveira de Souza e Alunos bolsistas projeto PAAE- IFBA;

2 Criação de Website com Joomla. Prof. Me. Jeime Nunes e Alunos bolsistas projeto PAAE - IFBA;

3 Produção de Biodiesel em Escala de Bancada.Prof. Airton Carneiro e Profa. Dra. Carine Tondo Alves - IFBA;

4 “Álcool de papelão e jornal”. Prof. Dr. Edelvio
de Barros Gomes e Prof. Dr. Vânia Lima Souza" - IFBA;

5 O universo em que vivemos! Prof. Marcos Ferreira Santos Silveira, Alu. João Vitor e alunos: Bio/info/eletro - IFBA;

6 Desafios socioambientais do território de Irecê. Prof. Me. Janaina Novais Sobrinho e Monica Medeiros (bolsista NEMA)-IFBA;

7 O universo UPSTREAM do petróleo. Prof. Myller Fernandes - IFBA;

8 Programação de PHP com MySQL.Prof. Rafael Xavier de Oliveira Souza - IFBA;

Turma de Biodiesel no estande de matérias primas e produção
Alunas de Biocombustíveis do IFBA Campus Irecê. Demonstração do reaproveitamento do óleo resídual doméstico para produção de biodiesel, sabão, e outros produtos.


Máquina para reaproveitamento do óleo residual doméstico
para produção de biodiesel, sabão e outros produtos.
Mine-curso de Biodiesel em aulas práticas no IFBA Campus Irece 
Usina de Biodiesel do IFBA de Irecê. 
Plataforma de produção em escala industrial para auxílio de aulas práticas. 

Imagens: Maykon Mendes

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Biorreator obtém vinhaça mais limpa para adubação do solo


Vinhaça "in natura" e vinhaça tratada com o fungo "Pleurotus sajor-caju"
A vinhaça é um resíduo obtido após o processo de produção do etanol a partir da fermentação do mosto (o caldo proveniente da cana-de-açúcar prensada) e da destilação do vinho proveniente da cana. “O tratamento do líquido no equipamento é feito utilizando-se fungos da podridão branca. Alguns deles são classificados como comestíveis, como os pertencentes ao gênero Pleurotus”, explica o biólogo Luiz Fernando Romanholo Ferreira, que demonstrou a tecnologia em sua tese de doutorado.
De acordo com o pesquisador, o equipamento traz duas vantagens em relação aos métodos tradicionais de tratamento da vinhaça. Além de se obter um produto mais adequado para a adubação, os fungos poderão servir para a alimentação animal. “Estudos sobre tais aspectos ainda deverão ser feitos, mas ao que tudo indica, os fungos poderão ser reaproveitados para a alimentação animal”, adverte Romanholo. Ele é autor da pesquisa Biodegradação de vinhaça proveniente do processo industrial de cana-de-açúcar por fungos, apresentada na Esalq em 2009 sob orientação da professora Regina Teresa Rosim Monteiro, do Laboratório de Ecologia Aplicada do Cena. O estudo foi realizado no programa de Pós-Graduação em Microbiologia Agrícola da Esalq.
Contaminação do lençol
Vinhaça "in natura" e vinhaça tratada com posterior filtração
Romanholo explica que a vinhaça obtida no processo de produção do etanol é rica em potássio e, usada na fertirrigação, pode percolar no solo e contaminar o lençol freático quando aplicada de maneira inadequada. “Ao consumir a água contaminada, a pessoa poderá adquirir algumas doenças, como a hipercalemia, caracterizada pelo nível de potássio acima do normal na corrente sanguínea”, explica.
Os experimentos com o biorreator também possibilitaram a obtenção de um líquido com um odor mais agradável. Normalmente, a vinhaça sem tratamento possui cheiro forte e ácido e uma coloração marrom escura. Como explica o biólogo, a melanoidina contida na vinhaça é um dos principais responsáveis pela sua cor. “Os fungos atuam na descoloração e o produto obtido após a degradação no biorreator apresenta uma cor clara, amarelada”, descreve Romanholo.
Ele explica que os fungos são capazes de produzir enzimas de interesse biotecnológico, como a lacase e a manganês peroxidase, que possuem a capacidade de degradar moléculas recalcitrantes, de difícil de degradação, presentes no resíduo.
Escala piloto
As pesquisas de Romanholo possibilitaram o desenvolvimento de um biorreator (do tipo Air-lift) em escala laboratorial que tem a capacidade de tratar 7 litros de vinhaça. Para se ter uma idéia, nas usinas que produzem etanol, para cada litro de álcool são obtidos entre 8 e 18 litros de vinhaça. “Em testes laboratoriais obtivemos sucesso. Pretendemos ainda este ano desenvolver um reator em escala piloto. Para tanto, esperamo contar com a cooperação de Usinas produtoras de etanol que tenham interesse em agregar valor a este importante resíduo”, avisa o biólogo.
Nos tratamentos convencionais do líquido, segundo o pesquisador, ainda não se obteve uma vinhaça tão limpa. “Testamos, inclusive, a toxicidade  após o tratamento fúngico com organismos aquáticos de diferentes níveis tróficos e os resultados foram excelentes”, garante Romanholo. Além disso, segundo ele, as qualidades da vinhaça após o tratamento biológico visam atender a uma norma estabelecida pela Cetesb. A entidade recomenda o tratamento da vinhaça antes da mesma ser lançado ao solo para a fertirrigação.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Petrobras Biocombustível e Tereos inauguram destilaria de etanol

Investimento de R$ 30,8 milhões adiciona 110 milhões de litros de etanol ao ano. Mesmo assim, governo reduz a mistura do combustível na gasolina vendida nos postos

Por: Maurício Ferla, repórter do Portal Transporta Brasil
Investimento para nova unidade de produção foi de R$ 30,8 milhões
A Petrobras Biocombustível e a Tereos Internacional, por meio da Guarani, iniciaram a operação de uma destilaria de etanol em Colina (SP). A usina fabricava somente açúcar e passa agora a produzir etanol para atender à crescente demanda do mercado nacional pelo produto.Essa demanda está tão alta que o Brasil terá que importar cerca de 2 bilhões de litros de etanol de milho dos Estados Unidos, além de reduzir a mistura de etanol na gasolina, que era de 25% e passará a 20%.

O investimento na nova unidade produtiva foi de R$ 30,8 milhões e elevou a capacidade da destilaria no interior paulista a 500 mil litros de etanol por dia, o que corresponde a 110 milhões de litros por ano. Porém, a expectativa é que na safra 2011/2012 a produção seja de menos da metade da capacidade instalada com apenas 44 milhões de litros de etanol.

Para o presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, o início da produção na destilaria faz parte do movimento de retomada de investimentos no setor. “Estamos contribuindo para migrar de um ambiente de crise de oferta para um cenário de produção sustentável de etanol”, afirmou ele, que revelou ainda que a destilaria em Colina faz parte do conjunto de investimentos da ordem de R$ 800 milhões aprovados para o estado de São Paulo através da Guarani.

De acordo com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a Petrobras sairá de 5% de participação para 12% do mercado brasileiro de produção de etanol, lembrando a meta do Plano de Negócios 2011-2015 da Companhia, aprovado pelo Conselho de Administração da estatal, grupo do qual ele próprio faz parte.

O presidente da Tereos Internacional, Alexis Duval, informou que a unidade iniciou suas operações em 2003 processando 1,5 milhão de toneladas de cana-de-açúcar. Com os investimentos desde 2006, alcançou capacidade para processar 4 milhões de toneladas de cana.

Consumo em alta

O governo decidiu ontem reduzir de 25% para 20% o teor de álcool anidro misturado à gasolina vendida nos postos do país. A medida será tomada para tentar evitar a falta de etanol no mercado –o preço do combustível tem aumentado muito nas últimas semanas e inflado o preço da gasolina no País. A expectativa do governo é de que esse aumento da disponibilidade do combustível no mercado não haja risco de desabastecimento e que a gasolina mantenha o preço, item que impacta no índice de inflação oficial.

Segundo o ministro Lobão, a medida passa a valer a partir do próximo mês e não há data para ser revertida, será mantida enquanto for considerada necessária pelo governo para evitar escassez.

“Temos que garantir o abastecimento para esse ano e para o próximo. Sabemos se a safra do próximo ano não será muito melhor que a atual”, afirmou Lobão, após reunião com a presidente Dilma Rousseff e com os ministros Fazenda, Guido Mantega, o da Agricultura, o recém-empossado Mendes Ribeiro e da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

A promessa é de que essa não será a única medida governamental para atender a crescente demanda pelo combustível, que explodiu com a criação dos carros bicombustível. Entre essas novas ações, Lobão afirmou ainda que a Fazenda deve anunciar nos próximos dias medidas de financiamento e desoneração para o setor de etanol.

Essa necessidade de redução do etanol acontece em plena safra, época em que o preço é mais baixo, em São Paulo, por exemplo, o litro desse combustível poderia ser encontrado por cerca de R$ 1 há dois anos, atualmente o combustível está na casa de R$ 1,85 pelo mesmo volume. O litro do hidratado está saindo da usina por R$ 1,24 e o do anidro por R$ 1,43, ambos sem frete e impostos, de acordo com dados da última sexta-feira. Esse valores indicam alta de 49,9% e de 47,9% respectivamente, quando comparados aos do ano passado.

Na semana passada, a Única, entidade que representa as usinas produtoras de álcool e açúcar, divulgou queda de 12% na moagem de cana –40,4 milhões de toneladas a menos– e de 31% na produção do hidratado –3,4 milhões de litros do combustível a menos circulando no mercado.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Abasteça seu carro com maconha


Nem todo mundo sabe, mas as fibras do cânhamo (a conhecida maconha) podem ser utilizadas para fabricar roupas, levantar paredes e compor a estrutura de um carro, devido à sua resistência (ela é duas vezes mais forte que outras fibras orgânicas). As sementes, no entanto, costumam ser descartadas. Mas isso está para mudar.
Aproveitando o potencial oleaginoso das sementes da maconha, o programa Polymer, da Universidade de Connecticut nos EUA, desenvolveu um biodiesel com altíssima taxa de aproveitamento: 97% do óleo das sementes foi convertido em combustível.
Outra vantagem da Cannabis sativa é a capacidade da erva de crescer em solo pobre e de baixa qualidade sem necessidade de pesticidas. Por isso, não é necessário cultivá-la em lavouras destinadas ao plantio de alimentos. "A produção de combustíveis sustentáveis muitas vezes compete com o cultivo de alimento", afirma Richard Parnas, coordenador do Polymer, em artigo publicado no site da Universidade. "Nesse contexto, produzir biodiesel a partir de plantas que não são alimentos e que não precisam de terra de alta qualidade é um grande passo".
O Polymer planeja construir uma unidade piloto de produção de biodiesel da cannabis, que contaria com um reator capaz de produzir até 200 mil litros de biocombustível por ano. Os cientistas pretendem testar novas formas de produzir biodiesel e realizar análises econômicas para a comercialização de seus métodos.
biodiesel é um combustível biodegradável e renovável produzido a partir de matérias-primas vegetais, como soja, dendê, mamona e, agora, maconha. Ele possui um teor de poluição equivalente ao do álcool (feito de cana-de-açúcar, ele também é um biocombustível) e emite menos gases poluentes que a gasolina.
Lívia Aguiar (Fonte: Exame Online)

sábado, 1 de setembro de 2012

Faça Alcool Combustivel - Projeto de Microdestilaria


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Biogás a partir da Vinhaça



Publicado em 5.4.2012, no Jornal do Commercio. Por Angela Belfort, da Editoria de Economia. Foto: Shirlene Marques/Especial para o JC, em 4/4/2012.

O grupo pernambucano JB e a empresa baiana Cetrel inauguraram, ontem, a primeira planta industrial que produz biogás a partir da vinhaça, um subproduto gerado na fabricação do álcool. No País, é a primeira vez que essa tecnologia é usada em escala industrial. Inteiro, o projeto gerou um investimento de R$ 15 milhões, dos quais R$ 6 milhões foram empregados nas instalações novas da Companhia Alcoolquímica Nacional, usina do JB, em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata. No local, também está sendo implantado uma planta piloto para ver a viabilidade econômica do bagaço da cana-de-açúcar ser utilizado como matéria-prima para o biogás.

Atualmente, a vinhaça é usada para fazer a fertilização do canavial. Inicialmente, será usada 20% da vinhaça da usina da JB, o que significa 1 milhão de litros por dia durante a safra. Isso será transformado em 600 megawatts-hora (MWh) por mês de energia, quantia suficiente para abastecer a cidade de São Vicente Ferrer – também na Zona da Mata –, que tem 18 mil habitantes.

Na fabricação do gás, a vinhaça é colocada num biodigestor com algumas bactérias que fazem com que uma parte do produto vire combustível. Depois disso, o biogás é colocado num motor para gerar energia, a qual entra na rede de distribuição.

O produto também é benéfico ao meio ambiente porque vai extrair o metano existente na vinhaça que será transformado em biogás e queimado para gerar energia. Após a fabricação do gás, a vinhaça volta ao campo para ser usada na adubação. “A vinhaça não perde suas propriedades de fertilização depois de ser usada na fabricação de gás”, resume a gerente de área de bioenergia da Cetrel, Suzana Domingues.

“Estamos agregando energias limpas. A Cetrel nos procurou e achamos um projeto interessante”, comenta o presidente do Grupo JB, Carlos Beltrão. O modelo de negócios do projeto foi interessante para a empresa. Os recursos empregados saíram da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) que entrou com 50% e a outra metade, bancada pela Cetrel. “A JB entrou com a matéria-prima e vai receber uma parte da venda de energia”, explica o presidente da Cetrel, Ney Silva. A energia do projeto pode ser vendida por R$ 130, o MWh.

O projeto implantado na JB pode crescer até cinco vezes mais num horizonte de três anos, segundo Suzana Domingues. “A nossa expectativa é que a partir da primeira safra comecem as ampliações”, conta.

Leia mais aqui sobre o aproveitamento da vinhaça na produção de energia.


Biogás da Vinhaça

Aproveitamento da vinhaça 

A produção de gás pela biodigestão da vinhaça em usinas de açúcar/ álcool, ou destilarias autônomas, tem sido objeto de estudos e tentativas de viabilização comercial há várias décadas, porém, só recentemente, surgiu o interesse de usar o biogás para geração de energia elétrica. Tecnicamente, a tecnologia já alcançou um grau de maturidade razoável devido às sucessivas experiências em escala de demonstração. Ainda permanecem algumas incertezas tais como os efeitos corrosivos do biogás nos equipamentos auxiliares e motogeradores e a estabilidade da biodigestão frente às flutuações na quantidade e qualidade da vinhaça processada. Estes problemas potenciais, que podem causar impactos negativos para o futuro comercial da tecnologia, só poderão ser realmente avaliados e resolvidos com a operação de algumas unidades.

Por isso, antes de entrar em escala comercial, seria conveniente a implantação de algumas unidades piloto, onde recursos de P & D pudessem ser aplicados para diminuir os riscos financeiros, dentro de uma escala razoável. Devido ao potencial de geração de excedentes, estimados neste estágio em 20 kWh/t cana (considerando 180 milhões de toneladas de cana para álcool resulta no potencial para o Brasil de 3,6 TWh/ano) a introdução comercial da tecnologia de biodigestão da vinhaça e uso do biogás em motogeradores de energia elétrica deve ser feita com cuidado.

É importante lembrar que existem, nos países desenvolvidos, inúmeras plantas de geração de eletricidade a partir de biogás, proveniente da biodigestão anaeróbica de outros substratos, como efluentes industriais e dejetos animais. A experiência operacional destas plantas poderia ser bem aproveitada para melhorar a confiabilidade técnica e econômica das futuras plantas de geração com biogás da vinhaça.

Fonte: http://www.biodieselbr.com/energia/biogas/vinhaca-biogas.htm

sábado, 18 de agosto de 2012

Processo Produtivo Industrial - Açúcar e Etanol (Brasil)

Assista ao Vídeo



Processo Produtivo Industrial - Açúcar e Etanol:
Neste vídeo produzido pela Udop (União dos Produtores de Bioenergia), você poderá perceber claramente cada etapa do processo de produção de açúcar e etanol em usinas brasileiras.

Através da experiência acumulada durante anos e do uso de tecnologias modernas de instrumentação e controle, o Brasil se destaca mundialmente na produção destes dois principais derivados da cana-de-açúcar (açúcar e etanol), além de gerar energia elétrica cuja parte excedente é vendida pelas usinas para as concessionárias de energia, num processo chamado co-geração.

Nota: Não é intenção infringir quaisquer direitos autorais do vídeo acima, cujos créditos são da UDOP (www.udop.com.br/tv). O objetivo é divulgar mundialmente o processo produtivo de açúcar e etanol adotado por usinas brasileiras.

Categoria:
Ciência e tecnologia
Licença: Licença padrão do YouTube
Fonte: YouTube

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pesquisa descobre cana-de-acucar para cultivo no semi-arido do NE.

Fonte: FSP, Dinheiro, p.B12


Espécie requer metade da água da planta tradicional 
Pesquisa descobre cana-de-açúcar para cultivo no semi-árido do NE
KAMILA FERNANDES DA AGÊNCIA FOLHA, EM FORTALEZA

Uma pesquisa da UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) descobriu um tipo de cana-de-açúcar ideal para o plantio no semi-árido nordestino: a cana do sertão, como ficou conhecida, precisa só da metade da água usada no plantio da cana tradicional para produzir. O plantio da tradicional precisa receber mil milímetros de chuva por ano. O da do sertão, 500 milímetros.

Depois de testada na própria universidade, a cana do sertão passou a ser produzida, neste ano, em engenhos de verdade.

O primeiro plantio, de 860 toneladas, ocorreu em oito municípios do sertão pernambucano: Santa Cruz da Baixa Verde, Triunfo, Solidão, Tabira, Santa Terezinha, Itapetim, São José do Egito e Ibimirim.

Nos dois primeiros municípios, a surpresa foi perceber que a cana estava pronta para a colheita com oito meses de plantio, dois antes que o habitual. Não há diferença entre os diversos tipos de cana, na aparência ou no resultado final.

"O excesso de sol é um fator extremamente positivo para o plantio da cana, pois afasta as pragas e estimula o desenvolvimento da planta", diz Pedro Lira, responsável pelo setor de cana-de-açúcar do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), em Serra Talhada (PE).

"Com o outro tipo de cana, que precisa de mais água, o clima seco e o sol forte têm um efeito destrutivo, mas, como antes não havia outra opção, o agricultor se habituou a rezar para ter sua colheita, mesmo com a estiagem."

O clima do semi-árido, com o excesso de calor e de luminosidade o ano inteiro, criou uma barreira natural às pragas da cana e permitiu aos produtores optarem pelo plantio orgânico, sem defensivos agrícolas químicos. A redução dos custos de produção chega a ser de 75%.
Existem cerca de 300 engenhos de cana-de-açúcar no semi-árido pernambucano, a maioria ainda funcionando "à força de boi", sem máquinas ou outra tecnologias: um boi faz o papel de processar a cana, ao puxar uma moenda manual, para transformá-la, depois, em rapadura ou cachaça, os dois principais produtos da região.

Além de o plantio ser quase todo manual, com a cana tradicional, os produtores trabalhavam apenas quatro meses por ano, à espera das chuvas para a colheita.
"A maior dificuldade agora deixou de ser o plantio em si, mas é convencer os produtores a mudar, porque a cultura local é muito arcaica e eles têm uma forte rejeição às novidades", disse Lira. Segundo ele, excursões com donos de engenho têm sido organizadas para levá-los aos locais onde o plantio da nova cana está sendo executado.

Apesar de consumir pouca água, a cana do sertão ainda precisa de irrigação para produzir o ano inteiro. "Com pouca água, mas uma quantidade que precisa ser garantida, a produtividade é triplicada", disse Lira. O Sebrae está implementando o plantio da cana do sertão no interior de Pernambuco em convênio com a própria universidade e com governos estadual e municipais.

Não foi necessária nenhuma modificação genética nas variedades de cana-de-açúcar para se chegar a um tipo que se adaptasse melhor ao clima seco e quente do semi-árido nordestino.
A pesquisa da UFRPE faz parte de um projeto chamado Cultivar de Cana-de-Açúcar, desenvolvido por outras seis universidades federais do país, cujo objetivo é verificar a melhor adequação das variedades da planta a diferentes tipos de solo e clima, até mesmo em locais de baixa fertilidade.

Paralelo a esse projeto, a universidade está trabalhando para decifrar o sequenciamento genético da cana-de-açúcar. O programa Genoma/PE foi iniciado em 1999 e está sendo feito em colaboração com a UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e com a IPA (Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária).


Fonte: FSP, 9/12/2003, p. B12  

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